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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Um compromisso de todos nós

* Malu Nunes
Em meio à corrida presidencial, historicamente, acompanhamos pautas ligadas à conservação ambiental serem colocadas em segundo plano. O resultado dessa postura são mandatos inoperantes em relação à degradação gradual e ininterrupta de nossas florestas e recursos naturais. Precisamos que os candidatos ao Palácio da Alvorada – assim como candidatos ao Legislativo e aos executivos estaduais – assumam compromissos verdadeiros com a preservação da nossa biodiversidade, por mais que promessas ligadas ao meio ambiente não atraiam tantos votos.
Novas lentes e olhar crítico sobre a nossa incomparável biodiversidade – Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Pampa, ambientes costeiros e marinhos... – mostram como a conservação de nossos biomas são vitais para o desenvolvimento do país e para o bem-estar da população. O que seria de todos os setores da economia e das nossas cidades sem água abundante e limpa, solos produtivos e recursos naturais? Áreas verdes e costeiras preservadas nos garantem também atrativos turísticos, clima equilibrado e ar de qualidade.
Nossos governantes e todos nós brasileiros precisamos perceber que o nosso capital verde suporta e dá sustento às demais atividades, sejam elas econômicas ou sociais. Entre os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável propostos pelas Nações Unidas para transformar o mundo até 2030, os quatro relacionados à proteção e à conservação da biosfera são essenciais para atingir os demais, como acabar com a fome, garantir vida saudável à população e permitir o crescimento econômico. Sem o uso sustentável dos recursos naturais, os impactos negativos do desequilíbrio do ecossistema serão ampliados.
Compromissos factíveis para os próximos quatro anos – propostos em cartas elaboradas aos presidenciáveis pela SOS Mata Atlântica e pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, por exemplo – englobam: a implantação de incentivos econômicos, fiscais e tributários voltados à manutenção e à regeneração da vegetação nativa em imóveis privados; a garantia do uso público qualificado em pelo menos metade dos parques nacionais, fortalecendo instituições públicas e promovendo concessões de serviços, turismo e outros negócios sustentáveis; o aumento do uso de fontes renováveis de energia; maior controle e monitoramento para zerar o desmatamento; e a proteção de pelo menos 10% dos diferentes ecossistemas costeiros e marinhos – como mangues, restingas e corais – a partir da criação de unidades de conservação para a conservação da biodiversidade.
Essas propostas são possíveis e a responsabilidade não recai apenas sobre o poder público. A sociedade civil organizada, o setor privado e as universidades também têm seu papel neste processo e devem estar abertos a parcerias e projetos qualificados. Neste mês, a Fundação Grupo Boticário completa 28 anos dedicados à proteção da natureza. Ao lado de outras entidades e em contato direto com atores públicos, sabemos que os desafios para conservar o patrimônio natural são grandes, urgentes e de todos os brasileiros. Atuar em rede e nos unirmos torna-se vital.

* Malu Nunes é diretora-executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

domingo, 23 de setembro de 2018

Especialistas lutam pela conservação de aves ameaçadas de extinção

Estudos ajudaram na criação de áreas protegidas e na redescoberta da rolinha-do-planalto, espécie exclusiva do Brasil que não era encontrada há 75 anos












A rolinha-do-planalto é exclusiva do Brasil e estava desaparecida há 75 anos 
Créditos: Bruno Rennó 


A criação de áreas protegidas tem sido um dos caminhos mais eficazes para preservar espécies ameaçadas de extinção e tentar reverter esse quadro. Pesquisadores em todas as regiões do país mobilizam-se para identificar novas populações de animais e articulam-se para estabelecer unidades de conservação para a manutenção e proteção das espécies. Essa foi parte da estratégia adotada por duas iniciativas apoiadas pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza para cuidar de aves ameaçadas, como o periquito-da-cara-suja e a rolinha-do-planalto.

Os trabalhos desenvolvidos no Ceará e em Minas Gerais também servem de exemplo para o Dia Nacional de Defesa da Fauna, lembrado em 22 de setembro. No Ceará, o projeto “Aves da Serra do Baturité”, da Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) e encabeçado por Fábio Nunes, priorizaçõesde conservação direcionadas a 12 espécies de aves, como o periquito-da-cara-suja – considerado em perigo de extinção, com cerca de 300 indivíduos na Serra do Baturité.

Entre as iniciativas estão a instalação e o monitoramento de ninhos artificiais para estimular a reprodução na natureza e evitar a retirada de filhotes por caçadores; a sensibilização em escolas e comunidades contra o tráfico de animais; e censos populacionais de aves. Segundo Nunes, essas aves precisam de uma mata conservada para viver, pois elas se adaptam somente onde não existe intervenção urbana.













O periquito-da-cara-suja está presente apenas na Área de Proteção Ambiental da Serra do Baturité (CE) 
Créditos: Divulgação 



“O periquito-da-cara-suja é a espécie símbolo do nosso projeto e ele está presente apenas na Área de Proteção Ambiental da Serra do Baturité. Por essa característica, de ser uma espécie sensível a ações humanas, é necessário que sejam criadas mais áreas restritas de proteção integral para ajudar na conservação dessas aves”, explica o responsável técnico pelo projeto. Até agora, o projeto ajudou na criação de duas áreas protegidas na região: a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sítio Lagoa e uma unidade de conservação (UC) na categoria Refúgio de Vida Silvestre. Ambas são de extrema importância para a conservação do periquito-da-cara-suja e de outras aves, como o uru e o tucaninho-da-serra-do-baturité.

 “Projetos como esse são essenciais para conservarmos as áreas naturais remanescentes de nossos biomas e preservarmos as espécies que nelas sobrevivem. A criação de unidades de conservação tem sido a melhor estratégia para garantir que os animais silvestres se mantenham e reproduzam no seu habitat”, afirma o coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário, Emerson Antonio de Oliveira. Rolinha-do-planalto Outro projeto apoiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza foca na conservação da rolinha-do-planalto, espécie rara e exclusiva do Brasil que estava desaparecida há 75 anos, sendo redescoberta em 2015, em Botumirim (MG). A ave é uma das mais raras do mundo e seu status atual é “criticamente em perigo de extinção”, de acordo com a BirdLife International/IUCN (2017).

 Diante desse cenário, em 2016, a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil) iniciou o projeto de conservação da rolinha-do-planalto, focado em expedições para localizar novas populações – o que ainda não ocorreu – , na articulação para a criação de unidades de conservação e estudos sobre a ecologia da espécie. O trabalho resultou na criação, neste ano, de uma reserva e de um parque estadual para a proteção da espécie. “A reserva, que possui 593 hectares, foi comprada pela SAVE em fevereiro deste ano. Lá, são feitas pesquisas, buscamos novas populações e engajamos a comunidade local por meio da educação ambiental e da promoção do turismo, principalmente da observação de aves”, conta o responsável técnico do projeto, Albert Gallon de Aguiar. Já o Parque Estadual de Botumirim, criado em julho de 2018, possui 36 mil hectares que protegem toda a população conhecida da espécie – são cerca de 15 indivíduos identificados no local. “A criação da reserva particular e de um parque estadual eram dois grandes objetivos que foram atingidos pelo projeto. Entre as muitas ameaças à biodiversidade, a perda de habitat é a maior delas. Sem habitat natural, grande parte das espécies simplesmente caminham para a extinção e, por isso, o primeiro passo que devemos dar é proteger esses ambientes”, comemora Aguiar. Para o diretor da SAVE Brasil e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Pedro Develey, a descoberta de novas populações das espécies gera esperança, mas também muita responsabilidade.

“Agora, é importante pensar em medidas de manejo conscientes visando o aumento da população da rolinha-do-planalto. Por mais que a área e os habitats estejam protegidos, a espécie continua vulnerável e por isso a importância de continuar atuando com ações de conservação”, conclui. Sobre a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza A Fundação Grupo Boticário é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial. A Fundação Grupo Boticário apoia ações de conservação da natureza em todo o Brasil, totalizando mais de 1.500 iniciativas apoiadas financeiramente. Protege 11 mil hectares de Mata Atlântica e Cerrado, por meio da criação e manutenção de duas reservas naturais. Atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e nas políticas públicas, além de contribuir para que a natureza sirva de inspiração ou seja parte da solução para diversos problemas da sociedade. Também promove ações de mobilização, sensibilização e comunicação inovadoras, que aproximam a natureza do cotidiano das pessoas.

 Sobre a Rede de Especialistas A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza é uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

sábado, 8 de setembro de 2018

Documentário retrata como a savana mais rica do planeta responde ao fogo

Filme mostra expedição que analisou os impactos das queimadas no cerrado brasileiro e marca o dia nacional do bioma, lembrado em 11 de setembro










Pesquisadores passaram dez dias na Reserva Natural Serra do Tombador avaliando os impactos do fogo 
Créditos: Acervo / Fundação Grupo Boticário 














Anfíbios e répteis estão entre as espécies analisadas 
Créditos: Acervo / Fundação Grupo Boticário 


Em comemoração ao Dia do Cerrado, 11 de setembro, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza lança um documentário com foco na savana mais rica do planeta. “A História depois do Fogo” conta em detalhes a expedição de dez dias realizada em fevereiro deste ano por 12 especialistas da fundação, Universidade Federal de Viçosa, Universidade Federal de Goiás e PUC-Goiás. A ação teve como objetivo avaliar os impactos do fogo que atingiu 85% da área protegida pela Reserva Natural Serra do Tombador, em Cavalcante (GO), em outubro de 2017. Na próxima terça-feira (11), a partir das 8 horas, o filme estará disponível no site e nas páginas do Facebook e do Youtube da fundação.

















Incêndio de 2017 atingiu 85% da Reserva 
Créditos: Acervo / Fundação Grupo Boticário 


Nesta época do ano, ocorre o período de seca no Cerrado. Com pouca chuva, a baixa umidade do ar, os ventos fortes e o calor provocam queimadas que se alastram e tornam-se uma ameaça. Após o incêndio do ano passado, a fundação decidiu promover a segunda expedição de biodiversidade na Reserva Natural Serra do Tombador, desta vez com foco no impacto do fogo. “Pesquisas e expedições científicas como essa são de extrema importância para aumentar o conhecimento sobre a biodiversidade da Reserva e do cerrado. Neste caso específico, compreender o impacto do fogo sobre a fauna e a flora a partir de um ‘marco zero’ e realizar estes monitoramentos em longo prazo, vai possibilitar uma melhor compreensão não só dos processos de recolonização da vegetação, como ajuda a entender quais grupos de fauna são mais sensíveis ou mais resistentes a eventos como esse”, afirma Natacha Sobanski, analista de projetos ambientais da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
A expedição
Na expedição liderada pelo doutor em Ecologia e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza Fabiano Melo foram selecionados para estudo grupos específicos de animais que respondem com mais rapidez a distúrbios ambientais como o fogo. Foram escolhidos répteis, anfíbios, pequenos mamíferos não voadores, aves e formigas. Além disso, foi feito um inventário da vegetação nas áreas impactadas e não impactadas pelo fogo com o objetivo de acompanhar a mudança da estrutura e composição da vegetação após queimadas nessas áreas. “Os estudos iniciais feitos na Reserva Natural Serra do Tombador foram focados no inventário da biodiversidade. Agora, com a questão do fogo, estamos incrementando os estudos para aumentar o conhecimento geral da biodiversidade e, particularmente, para tentar entender qual o impacto do fogo sobre essa fauna e flora residentes na Reserva”, descreve Melo.


















Flora local também foi avaliada 
Créditos: Acervo / Fundação Grupo Boticário 



Compreender os padrões ecológicos desses grupos são cruciais não só para a conservação das espécies, mas de todo o ecossistema em que elas estão inseridas. O monitoramento de longo prazo, a partir dos dados levantados na expedição, possibilitará uma melhor compreensão de como está o restabelecimento do ambiente e do equilíbrio ecológico da reserva a curto, médio e longo prazos. Além disso, os resultados auxiliarão no refinamento das estratégias de prevenção e combate ao fogo no Tombador.
 Sobre a Fundação Grupo Boticário
A Fundação Grupo Boticário é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial. A Fundação Grupo Boticário apoia ações de conservação da natureza em todo o Brasil, totalizando mais de 1.500 iniciativas apoiadas financeiramente. Protege 11 mil hectares de Mata Atlântica e Cerrado, por meio da criação e manutenção de duas reservas naturais. Atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e nas políticas públicas, além de contribuir para que a natureza sirva de inspiração ou seja parte da solução para diversos problemas da sociedade. Também promove ações de mobilização, sensibilização e comunicação inovadoras, que aproximam a natureza do cotidiano das pessoas.